Formação do Pensamento Antropológico

Blog dedicado à docência desta disciplina em 2014, na licenciatura em antropologia na Universidade Eduardo Mondlane

Introdução

Este blog é dedicado à disciplina Formação do Pensamento Antropológico, integrando o 3º semestre da licenciatura em Antropologia da Universidade Eduardo Mondlane. Pressionando esta ligação acede-se ao Programa da disciplina de Formação do Pensamento Antropológico

Cada entrada deste blog corresponde a uma aula. A sua disposição é descendente. Em cada entrada está definido o objectivo e apresentado o material para cada aula. Em alguns casos estão os materiais bibliográficos indicados, aqui deixados em suporte electrónico. É importante notar que nem sempre o aqui disponibilizado corresponde à edição apresentada no programa. Nesses casos é necessário fazer concordar os trechos indicados para leitura e discussão.

Praticamente todo o material que não está aqui disponibilizado é consultável na biblioteca do departamento de arqueologia e antropologia ou na biblioteca central “Brazão Mazula”. Nos poucos casos em que isso não é possível serão distribuídas fotocópias.

Em algumas entradas foram deixadas ligações a textos ou filmes que são material complementar. Estas são de leitura ou visualização facultativas, procurando alargar o espectro de informação e incrementar o espírito de pesquisa.

Como primeiro exemplo das informações deixo aqui esta palestra de Alan MacFarlane, preciosa para o entendimento do processo histórico de formação das ciências sociais.

Aula 1: contornos da periodização da história da antropologia

Contornos e proposta de periodização da história da Antropologia. Linhas gerais da evolução da disciplina entre o último terço de XIX e a II guerra mundial.

A. Barnard, History and Theory in Anthropology. [Livro também disponível na biblioteca]

Paul Mercier, Historia de la antropología [A edição portuguesa está disponível na biblioteca]

Aula 2: a construção do globo terrestre e do cosmos descentrado

 Mythtory flat earth Crates of Mallus globe

A terra segundo Crates de Malo (cerca de 150 a.c.)

sacrobosco

(Zodiac and Planets Circling Earth, Sacrobosco, Sphaera Mundi, 15th-c.)

“Além do cosmos”

“A evolução do planeta Terra”

Aconselha-se a visualização destes filmes. Sublinho que a compreensão dos processos de cognição e de representação do planeta e do universo são cruciais para a compreensão da construção da “modernidade”, contexto intelectual histórico onde brotará a reflexão disciplinar.

Num plano mais amplo, é urgente ultrapassar as deficiências na formação cultural que os alunos têm aquando da chegada à universidade. O seu total desconhecimento das realidades físicas e astronómicas é um enorme obstáculo à compreensão do pensamento científico e sua história, e uma mácula à sua formação intelectual. Cito T. Khun: “Hoje, no mundo ocidental, só as crianças argumentam deste modo, e só as crianças acreditam que a Terra está em repouso. Bastante cedo a autoridade dos professores, pais e textos convencem-nos de que a Terra é realmente um planeta e em movimento; o seu senso comum é reeducado; e os argumentos nascidos da experiência do dia a dia perdem a sua força. Mas a reeducação é essencial – na sua ausência estes argumentos são extremamente persuasivos – e as autoridades pedagógicas que nós e as nossas crianças aceitamos não estavam ao dispor dos antigos.” (Kuhn, A Revolução Copernicana, p.63)

KOYRÉ, Alexandre. Do Mundo Fechado ao Universo Infinito (leitura recomendada: capítulo II).

KUHN, Thomas, The copernican revolution (leitura recomendada: capítulo I).

RANDLES, W. G. L., Da Terra Plana ao Globo Terrestre (leitura recomendada: capítulos I e II).

 

Aula 3: representação cartográfica

O discurso antropológico pré-científico: literatura de viagens na expansão europeia, do mundo único como natureza una

Mapa de Waldseemuller, 1507

PTOLEMY, C. – Tabu nova partis aphri.
Published in Lyons, M. Servetus, 1535.

 

Claudius Ptolemy / Leinhart Holle, Ulm / 1482

Quarta Africae Tabula [Africa]
Map Maker: Bernadus Sylvanus
Place / Date: Venice / 1511

waldseemuller 1535 africa sul.jpg

Joannes Jansson, Polus Antarcticus 1637

Aula 4: do mundo único como natureza una

O discurso antropológico pré-científico: literatura de viagens na expansão europeia, do mundo único como natureza una.

durer

Exemplo da representação da fauna então (re)conhecida: o “Rhinocerus” de Albrecht Durer (1471-1528). Sobre o significado desta obra e da sua recepção ouvir este programa radiofónico.

MargaridoPlantasCoqueiro

Exemplo da representação da flora então conhecida: uma palmeira, em imagem portuguesa do século XVI.

FERRONHA, A.L. (1993), “Introdução”, in A Fauna Exótica dos Descobrimentos, Lisboa, Elo, pp. 9-25
MARGARIDO, A. (1994), As Surpresas da Flora no Tempo dos Descobrimentos, Lisboa, Elo, pp. 9-52

Aula 5: da diversidade humana como factor de (in)compreensão

Sobre fontes históricas do pensamento antropológico: do mundo único como diversidade humana. Da diversidade humana como factor de (in)compreensão.

3069196

The Travels of Marco Polo Volume 1

voa

Todorov, La conquista de america

Aula 6: da diversidade humana como factor de (in)compreensão

Sobre fontes históricas do pensamento antropológico: do mundo único como diversidade humana. Da diversidade humana como factor de (in)compreensão

monstros marinhos

o naufragio
Bernardo Gomes de Brito, O Naufrágio de Sepúlveda

 

Route  Cabeza de Vaca 1528-1536

Cabeza de Vaca, Naufrágios

 

Aula 7: do racionalismo científico como a recusa da cultura.

Do racionalismo científico como a recusa da cultura.

descartes

J. BRONOWSKI, B. MAZLISCH (1988), A Tradição Intelectual do Ocidente, Lisboa, Edições 70, pp.207-229

Ernest GELLNER (1995), Razão e Cultura, Lisboa, Teorema, pp. 13-41

 

Proponho a audição desta palestra de  Alan Macfarlane sobre o antropólogo Ernest Gellner, autor abordado nesta aula.  A temática é externa ao conteúdo da aula mas é de extremo interesse:


 

Aula 8: humanismo renascentista

O humanismo renascentista: concepção de homem e de processo histórico como discurso crítico.

Etienne_de_la_boetie_1

(Etienne de La Boétie, 1530-1563)

Etienne de la Boétie, Discurso da Servidão Voluntária

montaigne

Michel de Montaigne (1533-1592)

Michel de Montaigne, “Dos Canibais”

Aula 9: debates filosóficos sobre a humanidade

Debates filosóficos sobre a humanidade: da valorização do Outro em Hobbes, Locke e Rousseau

hobbes

Thomas Hobbes (1588-1679)

Thomas Hobbes, Leviathan

jonh locke

John Locke (1632-1704)

John Locke,  Segundo Tratado Sobre O Governo

John Locke, Carta Acerca da Tolerância

Rousseau

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)

ROUSSEAU, Jean-Jacques, O Contrato Social

BRONOWSKI, J., MAZLISCH, B. (1988), A Tradição Intelectual do Ocidente, Lisboa, Edições 70, pp. 295-317

Aula 10: a consideração da diversidade cultural e a formulação do relativismo

SERRÃO, A.V. (org.), A Invenção do Homem, Raça, Cultura e História na Alemanha do Século XVIII, Lisboa, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, pp. 269-314

(o texto será distribuído em fotocópia)

Aula 11: a formulação do relativismo

A consideração da diversidade cultural e a formulação do relativismo.

vico Giambattista Vico (1688-1744)

VICO, G. (2005), Ciência Nova, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, pp. 667-693  (texto distribuído em versão fotocopiada)

Vico, The New Science

herder

Johann Gottfried von Herder (1744-1803)

Herder, Reflections on the Philosophy of the History of Mankind (versão portuguesa disponível na biblioteca)

Aula 12: a unidade humana como projecto racional

Discutindo a unidade humana como projecto racional.

kant

Immanuel Kant (1724-1804)

KANT, I. (2002), “Das diversas raças humanas”, in SANCHES, M.R., SERRÃO, A.V. (orgs.), A Invenção do Homem. Raça, Cultura e História na Alemanha do Séc. XVIII, Lisboa, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa

SERRÃO, A.V. (2002), “O despertar da questão antropológica”, in SANCHES, M.R., SERRÃO, A.V. (orgs.), A Invenção do Homem. Raça, Cultura e História na Alemanha do Séc. XVIII, Lisboa, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, pp. 11-26

Propõe-se ainda a leitura deste texto de K. Hart, Kant’s relevance for Anthropology today.

Aula 13: a perfectibilidade humana

Emergência da concepção da perfectibilidade humana

 

LEACH, E. (1985), “Anthropos”, Romano, R (dir.), Enciclopédia Einaudi. Vol. 5, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, pp. 28-35

PASSMORE, J. (2000), The Perfectibility of Man, Liberty Fund, Indianopolis, pp. 295-331

Aula 14: conceitos de evolução e de progresso.

O conceito de Evolução e o conceito de Progresso.

charles darwin

(Charles Darwin, 1809-1882)

FEIJÓ, J. (coord.) (2009), A Evolução de Darwin, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, pp. 59-70

R. G. COLLINGWOOD, A Ideia de História, pp. 474-492

Um local de acesso às obras de Charles Darwin.

Um filme sobre Darwin:

Aula 15: a institucionalização da ciência antropológica

A institucionalização da ciência antropológica

Paul Mercier, Historia de la antropología

Aula 16: O ambiente romântico e o “folclore”

O ambiente romântico e o “folclore”. Sua articulação com as formulações do Estado-Nação oitocentista europeu. O exemplo português

COLLINGWOOD, R.G. (s/d) A Ideia de História, Lisboa, Editorial Presença. pp. 143-153

LANG, A. (1893) Custom and Myth, London, Longmans Green and Co., pp. 11-28

LEAL, J. (2006) Antropologia em Portugal. Mestres, Percursos, Transições, Lisboa, Livros Horizonte, pp. 99-110

Aula 17: o evolucionismo social

O evolucionismo social: contexto de emergência, cronologia, interesses e dimensões

Barnard, History and Theory in Anthropology

Aula 18: a família como objecto evolucionista

A “família” como objecto “evolucionista”.

KUPER, A. (2008), A Reinvenção da Sociedade Primitiva. Transformações de Um Mito, Recife, Editora Universitária, pp. 65-90

Adam Kuper, The Invention of Primitive Society (3 capítulos iniciais)

STOCKING, G. (1995), After Tylor. British Social Anthropology, 1888-1951, London, The Athlone Press, pp. 151-162

Aula 19: a “família” como objecto evolucionista

A “família” como objecto “evolucionista”. As teses matriarcais em McLennan e Bachofen.

bachofen

Johann Jakob Bachofen (1815-1887)

 

 JohnMcLennan23

John Ferguson McLennan (1827 – 1881)

BACHOFEN, J.J. (1967 [1861]), “Introduction from Mother Right”, Selected Writings of J.J. Bachofen. London, Routledge & Kegan, pp. 69-120

EVANS-PRITCHARD, E.E. (1989), História do Pensamento Antropológico, Lisboa, Edições 70, pp. 103-112

MCLENNAN, J.F., (1876), Studies in Ancient History, London, Bernard Quaritch, pp. 35-45, 121-210

J.F. MacLennan, Studies in Ancient History

Aula 20: a “família” como objecto evolucionista.

A “família” como objecto evolucionista. As teses patriarcais em Henry Maine. O evolucionismo tardio de Westermarck.

maine

Henry Maine (1822-1888)

Westermarck,_c1930s

Edvard Westermarck (1862 – 1939)

MAINE, H.S. (1977 [1861]), Ancient Law, London, Everyman’s Library, pp. 67-100

Henry Maine, Ancient Law

KUPER, A. (2008), A Reinvenção da Sociedade Primitiva. Transformações de Um Mito, Recife, Editora Universitária, pp. 65-90

Aula 21: a descoberta dos sistemas terminológicos de parentesco:

morgan

Lewis Morgan (1818-1881)

A “família” como progresso humano e a descoberta dos sistemas terminológicos de parentesco: o evolucionismo social em Lewis Morgan.

KUPER, A. (2008), A Reinvenção da Sociedade Primitiva. Transformações de Um Mito, Recife, Editora Universitária, pp. 91-118

MORGAN, L. (1973) A Sociedade Primitiva, Lisboa, Editorial Presença, pp. 13-59

Morgan La Sociedad Primitiva

Aula 22: a evolução nas formações conceptuais

A evolução das formações conceptuais: Tylor.

tylor

Edward Tylor (1832-1917)

 

TYLOR, E. B. (1871), Primitive Culture, London, John Murray, pp. 333-376

Aula 23: a evolução das formações conceptuais

A evolução das formações conceptuais: Frazer

james frazer

James Frazer (1854-1941)

FRAZER, J. (1922, abridged version), The Golden Bough, The Macmillan Press, pp. 15-79

James Frazer, The Golden Bough. Studies in Magic and Religion

JONES, R. A. (1984), “Robertson Smith and James Frazer on Religion: two traditions in British Social Anthropology”, in STOCKING, G. (ed.) Functionalism Historicized, Madison/London, University of Wisconsin Press, pp. 31-58

Margit Warburg (1989), “William Robertson Smith and the Study of Religion“, Religion, 19, pp. 41-61